
O Tribunal de Contas do Maranhão voltou a abrir concurso depois de 21 anos, e o edital já está na rua. São 40 vagas imediatas, mais cadastro de reserva, com o Cebraspe na organização. As provas, por sua vez, caem em novembro. No entanto, a discursiva TCE MA não é detalhe de fim de prova. Ela vale 40 pontos e elimina quem não atingir a metade. Além disso, cobra uma peça de natureza técnica de até 60 linhas. Quem treinou só marcação de gabarito vai descobrir isso na tarde do dia 29.
O que já está definido
O Edital nº 1 do TCE/MA, de 6 de julho de 2026, abriu o certame. O concurso é executado pelo Cebraspe, e todas as provas acontecem em São Luís. As inscrições correram de 17 de julho a 21 de agosto de 2026, pelo site da banca. A taxa foi de R$ 300,00 para Auditor, R$ 250,00 para Analista e R$ 200,00 para Técnico.
As datas das provas mudam conforme o cargo, e vale conferir a sua antes de montar o cronograma de estudo:
- 22 de novembro de 2026: Analista Estadual de Apoio ao Controle Externo.
- 29 de novembro de 2026: Auditor Estadual de Controle Externo e Técnico Estadual de Controle Externo.
Nos dois casos, tudo acontece no mesmo dia. A objetiva sai de manhã, com 5 horas de duração. Depois, a discursiva vem à tarde, com 4 horas para Auditor e Analista e 3 horas para Técnico. Ou seja, o candidato escreve cansado, depois de uma manhã inteira de prova. Isso é parte da dificuldade, e treinar em condição confortável esconde o problema.
O edital já sofreu duas retificações. Em 3 de agosto de 2026, a banca mexeu no conteúdo programático, alterando tópicos de Competências Digitais, Direito Administrativo e Direito Constitucional. Depois, em 17 de agosto de 2026, o Edital nº 3 comunicou uma falha técnica no armazenamento de documentos. Ela atingiu os arquivos enviados entre as 10 horas de 17 de julho e as 7 horas de 20 de julho. Por isso, quem subiu documentação nessa janela precisou reenviar as imagens.
O cargo, os requisitos e as atribuições
As 40 vagas imediatas se dividem em 15 para Auditor Estadual de Controle Externo, 20 para Analista Estadual de Apoio ao Controle Externo e 5 para Técnico Estadual de Controle Externo. A remuneração inicial é de R$ 20.112,20 para Auditor, R$ 12.950,00 para Analista e R$ 11.061,72 para Técnico. A jornada de Auditor e de Analista é de 30 horas semanais.
O cargo que concentra a disputa é o de Auditor Estadual de Controle Externo, especialidade Controle Externo. Ele oferece 5 vagas imediatas, sendo 3 de ampla concorrência, 1 para pessoas com deficiência e 1 para candidatos negros. Além disso, o requisito é graduação em qualquer área de formação, em instituição reconhecida pelo MEC. Ou seja, não é concurso reservado a quem cursou Direito ou Contabilidade. O conteúdo puxa para esse lado, mas a inscrição não fecha porta nenhuma.
Já as demais especialidades de Auditor pedem formação específica. São Ciências Atuariais com 1 vaga, Engenharia com 3, Medicina com 2 e Tecnologia da Informação com 4.
As atribuições do Auditor são as atividades finalísticas do Tribunal. Pelo edital, compete ao cargo planejar, coordenar, supervisionar e executar auditorias, inspeções e demais instrumentos de fiscalização. Ele instrui processos de contas de governo e de gestão, atos de pessoal, denúncias e representações. Elabora relatórios técnicos, matrizes de responsabilização e minutas de pareceres prévios. Analisa economicidade, eficiência, eficácia e efetividade de políticas públicas, e apura dano ao erário.
Repare no verbo que se repete: elaborar. O trabalho do auditor é escrever. Ou seja, relatório, matriz e minuta de parecer. É coerente que a banca meça isso já na seleção, e é por isso que a peça técnica pesa tanto.
As etapas e a pontuação de cada uma
Aqui não há adivinhação. O edital de 2026 está publicado, então os números abaixo são a régua deste concurso, e não estimativa de certame passado. São duas provas, ambas eliminatórias e classificatórias, aplicadas no mesmo dia.
A objetiva, de 160 pontos
A prova objetiva vale 160 pontos e tem 100 questões de múltipla escolha, com cinco opções e uma única resposta correta. Ela se divide assim:
- Conhecimentos gerais (P1): 40 questões, valendo 1,00 ponto cada, total de 40 pontos.
- Conhecimentos específicos (P2): 60 questões, valendo 2,00 pontos cada, total de 120 pontos.
Quem obtiver menos de 64,00 pontos no conjunto das objetivas está eliminado, sem classificação alguma. No cargo de Auditor, especialidade Controle Externo, os conhecimentos gerais cobram nove matérias. São elas: Língua Portuguesa, Competências Digitais e Informática Aplicada ao Setor Público, Raciocínio Lógico, Direito Administrativo, Direito Constitucional, Controle Externo, Legislação Específica do Tribunal, História e Geografia do Maranhão e Noções de Direitos Humanos. Nos específicos são onze disciplinas: Direito Administrativo, Constitucional, Financeiro, Tributário, Previdenciário, Civil, Processual Civil e Penal, além de Contabilidade Geral, Contabilidade Pública e Auditoria do Setor Público.
A escrita, de 40 pontos
A discursiva TCE MA do cargo de Auditor vale 40,00 pontos e tem três textos:
- Uma peça de natureza técnica, de até 60 linhas, valendo 20,00 pontos.
- Duas questões discursivas, de até 30 linhas cada, sobre situação-problema da especialidade, valendo 10,00 pontos cada.
Tudo isso em 4 horas, manuscrito, com caneta de tinta preta, na folha de texto definitivo. A nota da discursiva é a soma dos três, pela fórmula NPD igual a NP mais NQ1 mais NQ2. E aqui vem o corte que decide a vida de muita gente: quem tirar menos de 20,00 pontos está reprovado e eliminado do concurso. É metade da prova escrita, exigida como piso.
A nota final no concurso é a soma simples da nota nas objetivas com a nota na discursiva. São até 200 pontos no total.
Por que a discursiva TCE MA decide a vaga
Concurso de tribunal de contas atrai o candidato mais bem preparado do mercado. Na objetiva, portanto, a diferença entre o primeiro e o quinquagésimo costuma ser de poucos acertos. Na prova escrita, no entanto, não. É ali que a nota ainda tem amplitude, e o edital dá quatro motivos concretos para tratá-la como etapa principal.
Nem todo mundo tem a prova corrigida
A banca só corrige a discursiva de quem passar na objetiva e ficar entre os mais bem classificados, dentro de um limite fixado no edital. Para Auditor na especialidade Controle Externo, o limite é de 75 candidatos na ampla concorrência. Somam-se 25 entre as pessoas com deficiência e 25 entre os candidatos negros, respeitados os empates na última posição. Quem ficar fora é eliminado e não tem classificação alguma. Ou seja, escreveu a prova inteira, mas o texto não é lido.
O piso de 20 pontos elimina quem já estava dentro
No entanto, passar no corte de correção não garante nada. Sem os 20,00 pontos de 40, o candidato cai fora. E cai depois de ter passado na objetiva e de ter tido o texto corrigido. É a eliminação mais cara do certame, porque acontece no fim.
Erro de escrita desconta por densidade, não por total
Cada texto recebe duas avaliações, uma de conteúdo e outra de domínio da língua escrita. Primeiro, o conteúdo é avaliado por pelo menos dois examinadores, e a nota sai da média de duas notas convergentes. Sobre essa nota incide o desconto de erros, e a fórmula é a parte que quase ninguém estuda:
- Na peça técnica: NP igual a NC menos 4 vezes o número de erros dividido pelo número de linhas escritas.
- Nas questões: NQi igual a NCi menos 2 vezes o número de erros dividido pelo número de linhas escritas.
Leia de novo o multiplicador da peça. O erro de português custa o dobro ali do que custa nas questões. E como o divisor é o número de linhas efetivamente escritas, texto curto e errado desaba. Escrever mais só para diluir erro também não salva, porque o conteúdo raso derruba a nota de NC. Além disso, fuga ao tema zera a questão. O que passar do limite de linhas é desconsiderado, então as 60 linhas da peça são teto, não meta.
O desempate premia justamente a peça
Em caso de empate na nota final, o edital manda olhar, nesta ordem: idade igual ou superior a 60 anos, maior nota nos conhecimentos específicos, maior nota nos conhecimentos gerais e, então, maior nota na peça de natureza técnica. Antes da idade, o último desempate técnico do concurso é a sua escrita.
Como foi o certame anterior
Este é o ponto que muda a preparação, e poucos candidatos perceberam. O último concurso do TCE MA foi regido pelo Edital nº 02/2005, com a Fundação Carlos Chagas, e tinha desenho completamente diferente. Era só para o cargo de Analista de Controle Externo, com 17 vagas e cadastro de reserva. A remuneração era de R$ 2.704,80, e a taxa, de R$ 70,00. A prova foi em São Luís, em 20 de novembro de 2005.
Ou seja, o concurso de 2005 teve uma única etapa: uma prova objetiva de 100 questões de múltipla escolha. Ficava habilitado quem tirasse 60 pontos ou mais, e a nota final era simplesmente a nota da objetiva. Língua Portuguesa tinha 10 questões. Direito Constitucional, Direito Administrativo, Direito Financeiro e Contabilidade Pública ficavam com 15 cada. Controle Externo levava 10, enquanto Direito Previdenciário, Auditoria, Contabilidade Geral e Administração Pública tinham 5 cada. O edital de 2005 está aqui em PDF.
Não havia prova escrita. Nenhuma. Isso significa que, para a discursiva TCE MA, não existe prova anterior do próprio órgão para consultar. Portanto, não dá para caçar o espelho de correção do último certame. Nem estudar o comando cobrado da outra vez, porque banca e etapa são novas. O único parâmetro real é o edital de 2026 e o modo como o Cebraspe monta peça técnica em outros tribunais de contas.
O que fazer daqui até 29 de novembro
Falta pouco mais de três meses, e a conta é simples: são cerca de 14 semanas. A discursiva TCE MA cobra três textos manuscritos em 4 horas, então dá para chegar treinado, desde que a escrita entre na rotina agora, e não em novembro.
- Escrever uma peça técnica de 60 linhas por semana, cronometrada, à mão e com caneta preta. Assim, a folha manuscrita muda o ritmo e revela problema que o teclado esconde.
- Treinar as duas questões de 30 linhas em separado, porque exigem resposta objetiva e completa em pouco espaço. Isso é uma habilidade diferente da peça.
- Simular o dia real: objetiva de manhã, escrita à tarde. Porque escrever descansado engana.
- Cuidar da superfície do texto, já que erro de português desconta em dobro na peça. Revisar a própria escrita é conteúdo de estudo, não capricho.
- Ter alguém corrigindo desde já, com espelho e devolutiva. Texto que ninguém lê repete o mesmo erro até o dia da prova.
Se quiser treino pronto para esse formato, veja os materiais de escrita da Escola de Discursivas e as mentorias abertas. Eles foram construídos para prova de banca com peça técnica e correção por espelho. Ou seja, a correção é individual.
No dia 29 de novembro, à tarde, todo mundo vai estar cansado diante de uma folha em branco. Por isso, a diferença vai ser quem já escreveu aquilo antes.
Resumo do concurso
- Órgão
- Tribunal de Contas do Estado do Maranhão
- Situação
- Edital nº 1 publicado em 6 de julho de 2026, retificado em 3 e em 17 de agosto. Inscrições encerradas em 21 de agosto
- Banca
- Cebraspe
- Vagas
- 40 imediatas mais cadastro de reserva: 15 de Auditor, 20 de Analista e 5 de Técnico
- Cargo em foco
- Auditor Estadual de Controle Externo, especialidade Controle Externo, com 5 vagas imediatas
- Requisito
- Graduação em qualquer área de formação, reconhecida pelo MEC
- Remuneração
- R$ 20.112,20 para Auditor, R$ 12.950,00 para Analista e R$ 11.061,72 para Técnico, conforme o edital
- Provas
- 22 de novembro de 2026 para Analista. 29 de novembro de 2026 para Auditor e Técnico, em São Luís
- Objetiva
- 160 pontos: 40 questões gerais de 1,00 ponto e 60 específicas de 2,00. Corte em 64,00 pontos
- Discursiva
- 40,00 pontos em 4 horas: peça técnica de até 60 linhas valendo 20,00 e duas questões de até 30 linhas valendo 10,00 cada. Mínimo de 20,00 pontos, sob pena de eliminação. Só é corrigida a dos 75 melhores da ampla concorrência no cargo
- Nota final
- Objetivas mais discursiva, até 200 pontos
- Certame anterior
- Edital nº 02/2005, com a FCC, etapa única e sem prova escrita
Fontes: Jornalismo EDD, o Edital nº 1 TCE/MA de 6 de julho de 2026 e o Edital nº 02/2005 do TCE/MA, lidos na íntegra, o anúncio do próprio Tribunal, Estratégia Concursos e Gran Cursos Online. Datas e regras podem mudar por retificação. Confira sempre o edital e as retificações no site da banca.
